Mesmo para quem já conhece as instituições de acolhimento e tem a oportunidade de conviver com várias crianças, a experiência de apadrinhamento pode ser uma novidade muito transformadora e gratificante. O engenheiro Marcelo Santos já conhecia e colaborava com a instituição “Vivendas da Fé” há algum tempo, quando soube da possibilidade de apadrinhar uma das crianças, compartilhando, com ela, o seu tempo e o seu amor.

Foi assim que Marric, aos 12 anos, entrou na vida de Marcelo. Tímido e comportado, o menino, aos poucos, passou a sentir confiança pelo padrinho e hoje tem com ele uma relação de grande amizade.

Há alguns meses, Marcelo e sua mulher, Gisele Santos, têm passado os finais de semana com Marric, acompanhado seu desempenho escolar e suas histórias pessoais. Juntos, eles já foram ao cinema, fizeram um piquenique e várias disputas de vídeo game, almoçaram e passearam diversas vezes.

Para Marcelo, essa experiência tem sido gratificante para os três, pois a criança tem a oportunidade de desfrutar de uma relação familiar sadia e os padrinhos aprendem demais com a percepção de que, apesar de todas as limitações e problemas, é possível ter força e ser feliz. “Hoje, temos uma ligação bastante intensa. Pelas informações que recebemos do abrigo, o Marric gosta muito de nossos encontros e fica ansioso pelos finais de semana”, conta Marcelo.

Recebendo tanto amor, é bem mais fácil superar qualquer dificuldade. Um dia, Marric deu a Marcelo a lição fundamental dessa relação. Quando eles passavam por uma praça onde é muito comum ter pessoas brincando com cães, eles viram um cachorro muito alegre, pulando. O animal era paraplégico e usava rodas no lugar das patas traseiras. Marric, então, depois de algum tempo de reflexão, disse a Marcelo: “mesmo com toda a dificuldade, ele é feliz”. A felicidade pode ser um reflexo das condições ou experiências, ela brota da alma como um dever para quem sabe que, com amor, a vida realmente vale a pena.